QUAIS AS VERDADEIRAS CAUSAS DO ENDIVIDAMENTO? FALTA DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA OU DESEMPREGO, CRISE ECONÔMICA E NECESSIDADE?

 QUAIS AS VERDADEIRAS CAUSAS DO ENDIVIDAMENTO?

FALTA DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA OU DESEMPREGO, CRISE ECONÔMICA E NECESSIDADE?

 

É fácil falar uma merda dessas, difícil é pagar contas e comprar comida sem dinheiro e sem trabalho


Esta semana, acompanhando um telejornal da manhã transmitido pela Jovem Pan News, o Político e Comentarista ROBERTO MOTTA, no Programa Pingos nos Is (Reprise da manhã), afirmou que a culpa do endividamento das famílias brasileiras é “a falta de educação financeira”.

Acompanhei atentamente o debate e, apesar de em partes concordar com os pensamentos do comentarista Roberto Motta, discordo de seus argumentos referentes a essa questão.

Vou fazer uma análise superficial da situação e como um cidadão comum, que vivo o dia a dia como qualquer outro não famoso, nem vivo com um salário alto para ficar com a bunda numa cadeira opinando sobre aquilo que “acho” e falando daquilo que penso que sei, apenas porque escrevi alguns livros e que, por ter dinheiro financiei editoras para divulga-los e assim vende-los e ficar famoso.

Diga-se de passagem, que se você tiver dinheiro e puder divulgar sua imagem, você se torna “expert” em qualquer merda, aliás, se torna capaz de poder falar que a merda é uma delícia e as pessoas aceitam a merda como se fosse um prato de filé.

Assim, os “sábios”, “experts”, “entendidos de tudo”, falam pelo orifício corrugado oculto entre as nádegas, com aquele ar impetuoso e imponente, como se seus comentários fossem a máxima verdade, quando apenas estão cagando palavras de efeito sem efeito, que me perdoe o Roberto Motta da Jovem Pan, a quem respeito e admiro, mas nesse tema, ele cagou no pau.

Ando pelas ruas, vejo e converso com pessoas que perderam seus empregos durante a pandemia, e estão capengando, vivendo com “bicos de trabalho pingado”, vendendo o café da manhã para comprar o almoço, e vendendo o almoço para poder tentar jantar.

Entram no mercado e a contra gosto usam o tal Cartão de Crédito para comprar a comida, o leite e uma mistura insalubre (linguiça, salsicha, e restos de carne ensacada e congelada) para ao menos disfarçar a miséria que vem se acercando de suas vidas.

Passam o Cartão de Crédito nas maquininhas, desesperados, imaginando como farão para pagar a fatura, e na maioria das vezes, pagam apenas o mínimo, caindo no terrível crédito rotativo, ou acabam parcelando, porque nem o mínimo conseguem pagar, mas ao menos mantém o cartão ativo para a compra do próximo mês, e vivem sufocadas, na esperança que apareça algum trabalhinho que renda ao menos um pouquinho mais para que possam na próxima fatura pagar ao menos a metade do valor total...

Já vivi isso, sei como é estressante, a gente perde o sono, perde o desejo sexual, perde a vontade de acordar na manhã seguinte, situações assim acabam com famílias, destroem lares e casamentos, arrasam os nervos, causam colapso psicológico, afetam a saúde geral e até causam infartos.

Mas as pessoas que passam por isso, não querem dever para bancos, para operadoras de cartões de crédito, não querem comprar o que não precisam, mas não enxergam saída, e enquanto vão conseguindo empurrar as faturas pagando o mínimo este mês, parcelando no mês seguinte, e repetindo essas operações temerárias, o fazem, por desespero, necessidade afinal precisam se alimentar e alimentar os filhos, pagar agua, luz, telefone, remédios (e precisam muito de remédios, pois nessas situações as doenças aparecem como areia em ventania no deserto).

Ai vejo o Senhor Roberto Motta, sentado na sua sala, de frente para a sua webcam, com seu microfone, sua gravata, ao fundo sua estante com propaganda de seus livros, e como se fosse o “Senhor Absoluto de toda a Verdade”, fala que o desgraçado, desempregado, doente, arrasado, desesperado, vendo sua vida se esvair no bueiro fétido da miséria e das dívidas, está se endividando porque “não tem educação financeira”.

Queria muito que o “Expert” Roberto Motta, “Educasse” essas pessoas, inclusive eu, financeiramente, a respeito de como sustentar minha família se a empresa fechou na pandemia, se fechou porque LULA ganhou e a empresa se mandou do Brasil, ou que demitiu porque a carga tributária é cada dia mais absurda e extorsiva e as pessoas não conseguem emprego, não conseguem renda, não conseguem uma saída que não seja tentar manter-se com o uso do crédito, na vã esperança de conseguir um milagre antes da próxima fatura do cartão.

Diga Senhor Roberto Motta, ensine-nos a como ser educados financeiramente, mostre aos brasileiros que não ganham seu dinheiro com a bunda numa cadeira falando merda numa telinha de TV e dizendo que somos “mal educados financeiramente” a como pagar nossas contas sem termos trabalho e renda.

Com todo o meu respeito à Jovem Pan News, ao Senhor Roberto Motta, a quem repito, admiro e respeito, e com quem compartilho de alguns pensamentos políticos, afinal tanto ele quanto eu somos de direita e conservadores, mas daí a aceitar que ele chame a todos nós brasileiros cujas bundas doem de tanto tomar ponta pés nas portas de empresas atrás de emprego, trabalho e renda, de mal educados financeiramente, isso é o mesmo que chamar a todos nós brasileiros trabalhadores devedores ou não, de caloteiros sem responsabilidade.

Só não sei como é que poderemos comprar o arroz e o feijão, com a linguiça e a salsicha para enganar nossos estômagos dizendo que estamos nos alimentando, mas que é o que os cartões no crédito rotativo nos permite, e é o que temos pra hoje.

Acho que falei por nós, brasileiros e brasileiras, como disse o Senhor Roberto Motta da Jovem Pan News, somos “mal educados financeiramente”, ou quem sabe “caloteiros inveterados”...

 

 

J. Uanderley Vaz

Jornalista Independente

Registro MTE Nº 0092372/SP

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